Explore uma representação interativa de como a ciência se processa. Página original em inglês Home Glossário pesquisa home Compreender a Ciência Para professores Biblioteca de recursos
Destruição do ozono
página 3 de 13
anterioranterior | seguinteseguinte
  Juntando as peças
F. Sherwood Rowland e Mario Molina

Uma foto de 1970 de F. Sherwood Rowland (esquerda) e de Mario Molina no laboratório.
 
Rowland foi acompanhado pelo membro mais recente do seu grupo de pesquisa — Mario Molina, um químico recém-licenciado. Rowland tinha sugerido alguns tópicos diferentes para um primeiro projeto, e Molina pensava que investigar o destino dos CFCs libertados no meio ambiente era o mais interessante de todos. Desejoso por aprender sobre um novo assunto — química atmosférica — Molina atirou-se ao trabalho. Como é esperado de um cientista, ele começou com uma revisão profunda da literatura científica sobre o assunto, uma vez que talvez alguém já tivesse investigado uma reação química que afetasse os CFCs. Ele descobriu que muitos produtos químicos são decompostos na atmosfera mais baixa, perto de onde eles são libertados — mas não os CFCs. Nenhum processo químico conhecido parecia ser capaz de afetar os CFCs na baixa atmosfera.

Trichlorofluoromethane breaks down from exposure to solar radiation in the upper atmosphere

CFCs como o triclorofluorometano (CCl3F) decompõem-se quando expostos à radiação solar na alta atmosfera, libertando átomos de cloro.
 
Ele quis saber o que poderia acontecer com os CFCs quando sobem. A baixas altitudes, a radiação solar é muito filtrada pela atmosfera, mas a grandes altitudes, a radiação solar é muito mais intensa. Com base na sua compreensão da química, Molina sabia que qualquer molécula que atingisse uma altura suficientemente elevada iria ser decomposta em pedaços pela forte radiação solar. Usando as descobertas dos cientistas atmosféricos sobre o movimento do ar, Molina calculou que seriam necessários algo entre 40 e 150 anos para que uma molécula de CFC subisse aleatoriamente até à altura onde seria decomposta por radiação solar, libertando um átomo de cloro nesse processo.

Para descobrir o que aconteceria depois com este átomo de cloro, Molina procurou, em publicações de outros cientistas, saber quais as moléculas atmosféricas que estariam perto deste átomo de cloro que se separou. Entre as muitas possibilidades, uma molécula se destacou: o ozono — três átomos de oxigénio ligados entre si. Molina ficou a saber que o cloro iria reagir cataliticamente com ozono — o que significa que o átomo de cloro pode atuar como um machado, incentivando uma reação que decompõe o ozono, sem afetar o cloro. Na verdade, um único átomo de cloro pode destruir cerca de 100.000 moléculas de ozono! Molina não tinha certezas se isso faria diferença na atmosfera, por isso comparou os efeitos de CFCs com os mecanismos naturais de destruição do ozono investigados por outros cientistas. Descobriu que os CFCs podem conduzir a ainda mais destruição de ozono do que os mecanismos naturais!



the ozone layer
A camada de ozono protege a superfície da Terra da radiação UV.
Soar o alarme
A camada de ozono protege a Terra da perigosa radiação ultravioleta — que pode causar mutações. Nos seres humanos, uma camada de ozono reduzida ou empobrecida provavelmente levaria a taxas mais altas de cancro da pele, cataratas e problemas no sistema imunológico. Além disso, um aumento da radiação UV pode afetar as plantas e os ecossistemas marinhos de forma imprevisível — o que poderia, por sua vez, desencadear outras mudanças ecológicas. Porque parecia que os CFCs poderiam destruir o nosso escudo protetor de ozono, Molina e Rowland ficaram alarmados! Mas eles também estavam céticos: se a destruição do ozono estava realmente a acontecer, porque não tinha sido já descoberta por cientistas atmosféricos? Depois de verificarem os seus cálculos, eles decidiram consultar um colega em química atmosférica e ficaram a saber que, apenas alguns meses antes, os investigadores tinham encontrado a mesma interação de cloro-ozono na exaustão de gases de escape dos vaivéns espaciais — em comparação com os CFCs, uma pequena causa da destruição do ozono. Depois de se terem assegurado que as suas descobertas justificavam preocupação, Molina e Rowland publicaram o seu trabalho.1 Então, para aumentar a probabilidade de que algo seria feito quanto a esses resultados perturbadores, mostraram-nos aos média e aos políticos, pedindo a proibição da produção e do uso de CFCs. Mas eles não se ficaram por aí …


veja também
Antes de mergulhar numa nova área de pesquisa, Molina aprendeu o que outros cientistas já haviam descoberto sobre o assunto. Esta é uma parte padrão do comportamento científico. Para saber mais sobre outros tipos de comportamento esperados de cientistas, ver Os participantes na ciência portam-se cientificamente.



1Molina, M.J., and F.S. Rowland. 1974. Stratospheric sink for chlorofluoromethanes: chlorine atom-catalyzed destruction of ozone. Nature 249:810-812.

Foto de Rowland e Molina cortesia da Universidade da California Irvine


Home | Acerca | Copyright | Créditos e Colaboradores | Contactos